domingo, 31 de janeiro de 2016

Bandidos cumprem ordem do PCC e do Comando Vermelho e dão trégua nas execuções em Fortaleza

Cumprindo rigorosamente a determinação dos comandos das facções criminosas PCC e Comando Vermelho (CV), que se instalaram em Fortaleza, as gangues de traficantes dos bairros da periferia não executaram ninguém, nas últimas 24 horas, em Fortaleza. Portanto, nenhum homicídio foi registrado na Capital na sexta-feira. Isso não ocorria há exatos 10 anos.
A última vez que isto aconteceu foi em 2006, quando na época, o então comandante chefe do Comando do Policiamento da Capital (CPC), coronel PM Sérgio Costa, determinou uma sequência de operações contra o crime mobilizado os efetivos de todas as companhias dos batalhões sediados na Grande Fortaleza, incluindo o Batalhão de Polícia de Choque (BPChoque).  A gestão era do governador Lúcio Alcântara e, em poucos meses, os registros de homicídios chegaram a níveis baixíssimos na Grande Fortaleza.
Após a sucessão de Lúcio Alcântara no Governo do  estado, o Ceará sofreu uma explosão dos índices de violência, especialmente dos homicídios. Em 2014, por exemplo, foram registrados no Ceará nada menos que 4.449 assassinatos, na gestão de Cid Ferreira Gomes. No ano passado, já na gestão de Camilo Santana (PT), este número também ultrapassou os 4 mil. Neste mês de janeiro de 2016, do dia 1º até ontem, já foram registrados 327 assassinatos, sendo 206 na Grande Fortaleza (Capital e Região Metropolitana) e outros 121 no Interior.
Comemoram
A “pacificação” das áreas mais críticas em termos de insegurança em Fortaleza aconteceu graças a união entre vários grupos criminosos que antes eram inimigos. A ordem para que zerassem os assassinatos foi dada pelos líderes das duas facções, depois que estes assumiram o total controle do tráfico de drogas na Capital.
De dentro do presídio, partiram ordens para que os grupos criminosos ligados ao PCC e Comando Vermelho comemorassem a aliança entre as gangues. E, de fato, nos últimos dias vários bairros da Capital cearense foram palco de carreatas e queima de fogos de artifício para celebrar o que eles chamam de pacto. Os grupos agora se intitulam de “Guardiões do Estado”, num ousado desafio à Pasta da Segurança Pública do Ceará, que silencia sobre o fato.
POR FERNANDO RIBEIRO